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VITÓRIA

Com vales charmosos, picos que tocam as nuvens, muitas cachoeiras e até rochas que mudam de cor, as montanhas do Espírito Santo formam uma das serras mais bonitas

Como toda área montanhosa que se preze, a serra capixaba tem dias muito ensolarados no verão, temperatura perto de zero grau no inverno em muitos vales e cachoeiras espalhados numa paisagem que se estende por cerca de 200 quilômetros - a região que se conhece como serra capixaba, na verdade, é formada por duas serras: a do Caparaó, onde fica o Pico da Bandeira, com 2 890 metros, a terceira montanha mais alta do Brasil, e a Serra do Castelo, com a Pedra Azul e o Pico do Forno Grande, outra imponente formação rochosa do lugar.

Além de ser um ótimo lugar para quem gosta de natureza e de cenários grandiosos, a serra capixaba também é muito boa para os que curtem cidadezinhas aconchegantes e boa comida. Atraídos pelo clima algo europeu, imigrantes alemães e italianos adotaram a região em meados do século passado. Na pracinha da cidade, há uma igreja de 1866, com três sinos em sua torre, uma coisa rara no Brasil.

Em muitas lojinhas, os turistas podem descobrir os efeitos do cruzamento da competência germânica com o talento culinário dos mineiros. Ao lado do pórtico de Domingos Martins, por exemplo, estão à venda de bordados e quitutes a licores e vinhos. O lado italiano da serra capixaba, por sua vez, está representado pelas cidades de Castelo, Conceição do Castelo e Venda Nova do Imigrante. Em Venda Nova do Imigrante, cerca de oitenta famílias vivem da venda dos quitutes que preparam. Um exemplo disso é o Vale do Caxixe. Cortado pelo rio de mesmo nome, o vale tem uma cachoeira de 60 metros e uma vista magistral do impressionante Pico do Forno Grande. Se o tempo estiver bom, vale ainda um passeio até o Parque Nacional do Caparaó, a 140 quilômetros de Venda Nova do Imigrante, na divisa com Minas Gerais - embora cerca de 70% do parque fiquem no Espírito Santo, o acesso oficial é pelo município mineiro de Alto Caparaó. O ponto culminante dessa aventura, no entanto, é subir ao topo do Pico da Bandeira para assistir de camarote ao mar de morros da serra - da mesma forma que e perder a viagem voltar sem passar um bom tempo curtindo a Pedra Azul. Mesmo com o tempo bom, é bem provável que ela esteja debaixo de cerração - o que não vai impedir que o sol, ao bater nos líquens, tinja o amarelo da pedra ora de verde, ora de azul. Ao redor desse belo espetáculo, existe ainda uma imensa área cheia de ipês, jacarandás e embaúbas. As cidades de Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e o Parque Estadual de Pedra Azul ficam bem próximos à rodovia. Para chegar ao Parque Nacional do Caparaó, seguindo pela BR-262, deve-se entrar no trevo que leva a Manhumirim, já em Minas Gerais, passando também por Alto Jequitibá e Alto Caparaó. Do trevo até a entrada do parque são 38 quilômetros.

Compre as guloseimas, vinhos e licores das comunidades de Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, faça a trilha que leva às piscinas naturais no Parque Estadual da Pedra Azul, tome um banho de cachoeira no Vale do Caxixe, ouça as modas do sanfoneiro Carlinhos no Restaurante Caminho do Imigrante, em Domingos Martins, às sextas e sábados, para não voltar arrependido.

Em Domingos Martins, na Casa da Cultura, e (027) 268-1344. Em Venda Nova do Imigrante, na Loja do Agrotur, e (027) 546-2317. No Parque Estadual da Pedra Azul, e (027)248-1156. No Parque Nacional do Caparaó, e (032) 747-2555.

 

   

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