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BRUXELAS

Bruxelas, capital da Bélgica e centro das decisões do segundo bloco econômico do mundo, a União Européia, também tem seu ícone, o Menekken Pis. Não fosse esse menino, demoraria para descobrir que, fora do horário comercial, Bruxelas é, também, uma cidade criativa, versátil e muito bem-humorada.

Como em quase todas as cidades européias, Bruxelas também tem um centro velho e uma praça central - a Grand Place. Muita gente a considera uma das praças mais bonitas do mundo, junto com a Praça Staromest Rad, em Praga, ou a Piazza San Marco, em Veneza. Construída entre os séculos 13 e 15, a Grand Place de Bruxelas preserva em seu entorno casas que pertenceram a reis e nobres no passado, numa surpreendente harmonia arquitetônica. A prefeitura, um dos prédios mais emblemáticos da cidade, também está ali. À noite, sob luzes especiais, a Grand Place fica ainda mais sedutora.

É nessa praça que está o melhor de Bruxelas. São museus, cafés, cervejarias e lojas de chocolate, em ambientes acolhedores, que num primeiro olhar combinam apenas com os ventos frios do inverno. Esse lado mais espontâneo de Bruxelas é quase um segredo. O espírito livre e criativo de Bruxelas, que a Grand Place confirma tão bem, pode não transitar tanto pelos satélites da informação, mas está nos ateliês de design, nos antiquários da Praça du Grand Sablon e até nas vitrines das incontáveis lojas de chocolate. Há um bom gosto permeando quase tudo, algo que está impresso no código genético da cidade: ela nasceu de uma pequena colônia de artesãos e ardorosos comerciantes que, no final do século 10, se estabeleceu ao redor de um grande castelo.

Foi em Bruxelas que, em 1847, numa atitude pioneira, alguns arquitetos construíram uma cúpula sobre uma pequena rua de comércio, criando as Galerias Saint-Hubert, depois divididas com nomes sugestivos - Galeria do Rei, da Rainha e da Princesa. Construído para a Exposição Mundial de 1958, o Atomium domina a paisagem com sua aparência futurista, em meio ao verde do Boulevard du Centenaire. Lá dentro, percorrendo os estranhos e inclinados corredores que unem as esferas desse átomo gigantesco, descobre-se um centro cultural bem equipado, salas de exposição e, bem no alto, uma vista maravilhosa da cidade.

Um dos passeios obrigatórios em Bruxelas é o Centro Belga de Histórias em Quadrinhos. Afinal, este é o país de um dos heróis do gênero - o Tintin, de Hergé. Além de uma exposição permanente, as paredes desse museu têm outro apelo: a casa foi projetada pelo arquiteto Victor Horta, um dos criadores do art noveau, um estilo que nasceu em Bruxelas e se espalhou em obras de arte e construções de todo o mundo.

Bruxelas também soube assimilar influências que determinariam sua natureza multicultural. Durante os séculos 16 e 17, foi domínio dos Habsburgos espanhóis. Depois, foi capital dos Países Baixos - Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Se há um lugar onde todos se tornam iguais nessa cidade é na Petite Rue des Bouchers, que concentra alguns de seus melhores restaurantes. O hit culinário da cidade são as moules, que nós conhecemos como mariscos. Na Bélgica eles são gratinados, servidos ao molho de tomate ou, simplesmente, cozidos com ervas. Os restaurantes mais caprichosos arrumam as mesas do lado de fora, expondo os frutos do mar ao desejo dos passantes. Quem resiste?

Para sobremesa, Bruxelas tem o chocolate Godiva, tido como um dos melhores do mundo - há lojas dessa marca espalhadas por todo canto. Você diria que uma coisa dessas acontece na sisuda Bélgica?

Impossível ir a Bruxelas e não experimentar os tradicionais moules com fritas. Praticamente todos os restaurantes da Petit Rue des Bouchers serve a iguaria como o prato principal. Vale ir ao tradicional Chez Léon, Rue de Bouchers, 18, que serve apenas variações desse tema. O Le Bergerie, na Petite Rue de Bouchers, 18, serve essa iguaria, em grande estilo.

Aos domingos, passeie na feira de antiguidades que acontece pela manhã na Place du Grand Sablon. Ao redor dessa praça há também outras lojas de antiguidades e algumas galerias de arte. Souvenires existem aos montes ao redor da Grand Place. O comércio popular está na Galeria Agora, que tem entrada pela Grand Place e Place Agora. A loja da Godiva, essencial, fica na própria Grand Place.

Bruxelas não é a melhor cidade do mundo para uma aventura noite adentro. Um dos bares mais procurados é o La Mort Subite, na Rue Montagne aux Herbes Potagères, cuja cerveja da casa é adocicada e tem sabores à escolha do freguês, como cereja ou pêssego. Na própria Grand Place, um bom lugar é o café que funciona na Maison du Roi d’Espanhe. Gente mais nova costuma ir ao Zebra, na Place Saint-Géry, 33. Já os mais maduros preferem a tranqüilidade do Au Bom Vieux Temps, na rue Marché aux Herbes, 12. Para um papo cabeça, vá no La Fleur em Papier Doré, na Rue des Alexiens, 53, que foi ponto de encontro dos surrealistas na década de 20.

As placas de Bruxelas são escritas em francês e holandês. Quem fala francês, geralmente entende muito pouco inglês e quem fala holandês entende muito pouco francês, mas fala bem o inglês. Neste samba do belga doido, quem fala somente o inglês e entende o francês básico não terá grandes problemas.

Há um escritório no prédio da prefeitura, na Grand Place, com mapas gratuitos, guias pagos e balcão para venda de ingressos para shows. Já ao lado da praça, na Rue du Marché aux Herbes, há outro escritório com vasto material informativo de Bruxelas e também sobre toda a Bélgica.

O verão é um bom momento para conhecer Bruxelas: a temperatura começa a subir, juntamente com o ânimo dos belgas. Na primavera e no verão, a temperatura fica em 16 graus. É a temporada dos shows de música na Grand Place e das mesas na calçada.

No centro da cidade, caminhar é ótimo. Use o metrô para ir a lugares como o Atomium (Estação Heysel) ou o Parque do Cinqüentenário (Estação Merode). Bruxelas não tem muitas estações de metrô mas, por outro lado, andar de carro não é o fim do mundo. O preço dos táxis não é abusivo. Evite também andar só e de madrugada pelas ruas escuras do centro. Ao contrário do que parece, Bruxelas não é 100% segura.

A pequena cidade de Brugges, a apenas 1 hora de trem ou carro de Bruxelas, é muito mais do que um passeio de um dia para quem está na capital belga. Enquanto Bruxelas encanta aos poucos, Brugges dispara paixões incontroláveis logo de cara. Basta ir lá para entender o porquê deste lugarejo do século 9, repleto de canais, ter merecido o apelido de "Veneza do Norte".

 

   
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